Enquanto os eleitores se dirigem às urnas em 3 de novembro, cinemas independentes de todos os Estados Unidos oferecem ao público várias maneiras de passar a noite da eleição. Alguns programas abordam a política diretamente; outros oferecem uma distração, uma oportunidade de reflexão ou simplesmente um lugar para se reunir. A IndieWire conversou com 14 operadores de cinema, programadores, cineastas, educadores e autores em 12 estados sobre seus planos.

No Beverly Theater, em Las Vegas, a programação inclui a sátira política de Alexander Payne, “Election”, ao lado de “The Devils”, de Ken Russell, e “The History of Concrete”. O diretor criativo fundador Kip Kelly disse que o cinema procura refletir o que acontece do lado de fora de suas portas e descreveu a comédia escolar sobre uma eleição como uma escolha apropriada para um dia dominado pelo espetáculo político.

Outros espaços chegaram à programação da noite da eleição de maneira menos deliberada. O Belcourt, em Nashville, exibirá “Under the Silver Lake”, escolhido por meio de seu processo habitual de seleção da equipe. O diretor de programação Toby Leonard disse que a relação com o dia foi coincidência. O AFS Cinema, em Austin, também manterá sua programação habitual. O programador Lars Nilsen disse que não queria transformar “The Good, the Bad and the Ugly” em um comentário sobre a eleição. Ele vê a expansão do cinema para três salas como um sinal de confiança no papel do cinema de repertório para reunir as pessoas.

Para o Maysles Documentary Center, no Harlem, a comunidade é o foco da noite. O diretor executivo Kazembe Balagun escolheu “BLKNWS: Terms & Conditions” para estimular perguntas sobre representação, poder e como as comunidades se imaginam para além das urnas. O encontro após a sessão pretende prolongar essa conversa e reunir os vizinhos.

No Gap Theatre, na Pensilvânia, a equipe do Spectral Cinema exibirá “The Devil, Probably”, de Robert Bresson, em 35 mm. A programadora Adrianna Gober disse que o filme aborda sentimentos de alienação e impotência, enquanto o coprogramador Dan Santelli espera que ele incentive a reflexão, e não a resignação.

“ The Devils”, de Ken Russell, também está atraindo público em outros lugares. O Trylon, em Minneapolis, esgotou todas as sessões da temporada, segundo o programador John Moret, que escolheu o filme para uma série sobre cinema ocultista. O Coolidge Corner Theatre, em Brookline, está exibindo o longa durante sua terceira semana de programação, junto com uma aula de cinema para adultos chamada “Voting Counts: Elections in Film”. O cinema também programou “Network” para a véspera da eleição.

Outras escolhas oferecem um tipo diferente de alívio. Em Austin, Blake Williams, do Hyperreal Film Club, escolheu “Hardball”, drama esportivo estrelado por Keanu Reeves, na esperança de proporcionar ao público um filme reconfortante depois de um mês de sessões de terror. Williams disse que alguns amigos LGBTQ da comunidade cinematográfica local estão pensando em deixar o Texas porque não se sentem seguros, e descreveu a sessão como uma oportunidade de oferecer à comunidade algumas horas de conforto.

O Screenland Armour, em North Kansas City, exibirá uma nova restauração de “Wild at Heart”, de David Lynch, ao lado do filme de animação inédito da Laika, “Wildwood”. O coproprietário Adam Roberts disse que o filme de Lynch poderia servir de escapismo para os espectadores que o procuram. O Independent Picture House, em Charlotte, manterá sua programação já definida, que inclui “Wild at Heart”, “The Devils” e “Digger”. O encontro habitual de cineastas do cinema também acontecerá na noite da eleição, oferecendo à comunidade cinematográfica da Carolina do Norte um lugar para discutir resultados que podem afetar as produções locais e o apoio à indústria.

Em Los Angeles, o WHAMMY está inaugurando o One Person Cinema, de Julie Orlick: uma pequena sala projetada para uma única pessoa, com cadeira, televisão e fones de ouvido. A primeira obra exibida será o curta erótico de Orlick, “DÉSIR”. Uma sessão de “Les fantômes du hard” no microcinema maior do espaço completa a programação da noite. Orlick disse que a experiência de exibição privada da instalação foi concebida em torno de imagens íntimas que ela não queria publicar na internet.

O Gene Siskel Film Center, em Chicago, exibirá “The World”, de Jia Zhangke, como parte de “Contact Zones”, uma série pública e aula expositiva conduzida por Daniel Quiles, professor da School of the Art Institute of Chicago. Ambientado entre trabalhadores de um parque temático de Pequim repleto de réplicas em miniatura de monumentos, o filme pretende ajudar o público a refletir sobre a globalização e a buscar conexões, em vez de simplesmente aceitar as divisões entre países.

As programações refletem diferentes expectativas sobre o que um cinema pode oferecer na noite da eleição: engajamento político, uma pausa das notícias ou uma experiência compartilhada. Para alguns espectadores, o atrativo é simplesmente poder deixar o celular de lado por algumas horas; outros preferem acompanhar de perto os resultados. No WHAMMY, em Los Angeles, o One Person Cinema ficará disponível durante todo o mês.

Fontes: IndieWire.